quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Allons?

Pra falar a verdade eu estava com muita preguiça de escrever hoje. Tive um dia exaustivo ontem e uma noite extenuante. Acordei tarde com o Pinguim me lambendo a cara. Tá certo. A gente precisa de alguém pra cuidar. Que seja o Pinguim pra me lembrar que o pote da ração tá vazio ou que ele quer ir aliviar a bexiga lá fora. O Pinguim é aventureiro, claustrofóbico. Ele não gosta de mijar em casa. Comi um resto de Sucrilhos que tinha no armário. Armário vazio. Preciso passar no supermercado. Conversei meia hora com minha amiga pelo telefone. Precisava contar do Flávio. Pobre do Flávio. Pensando bem só sei o que penso dele quando ouço a mim mesma narrando nossa vida. O Flávio conseguiu sumir com todos os pregos que Jean Michel levou uma vida juntando num pote de Pringles. Como é que alguém consegue perder um pote de Pringles cheio de pregos? O Flávio tem merda na cabeça. E eu também devo ter. Ou então o Jean Michel foi um construtor enquanto o Flávio é um dilapidador. Boa definição. Minha amiga ri. A festa do Caíque foi uma faca de dois gumes. Vê-lo se apresentar no placo, piscar pra mim, procurar por mamá na platéia, confratenizar com os amigos, foi tudo lindo. Mas ter que suportar as femmes foi uma chatice das Arábias. Me dou melhor com homens. Será meu lado masculino ou meu lado puta? O Pinguim deve ter percorrido a Vila Guilherme inteira só pra dar uma mijada. À noite jantei com o Flávio. Ele queria que eu ficasse por lá, mas meu coração estava oprimido. Voltei pra casa, preparei um uísque cowboy duplo e acompanhei Cidadão Kane no cabo. Acabei pegando no sono. Acordei assustada antes do sol nascer. Acordei chamando por Jean Michel que me sorria na tarde fria de Praga carregando uma montanha de livros debaixo dos braços. Seus olhos verdes se apertavam tentando me enxergar através do fog. Liz! (meu nome saía anasalado pelo sotaque francês de Jean Michel) Liz, allons, chérie! Allons pra onde, Jean Michel? Estou no Brasil e um oceano e muita mágoa nos separam.

Um comentário:

  1. Eu preciso te dizer várias coisas que pretendo deixar escritas aqui. Lá vai!

    Antes de mais nada, vc não pode imaginar quão feliz fiquei por te reencontrar. E não faça esse seu arzinho blasé porque sei que vc também ficou. I can feel it!

    Mais feliz estou por podermos, como nunca antes, conversar por telefone ou pela net como nunca antes pudemos. Tenho rido, tenho me sentido leve.

    E estou muito orgulhosa do blog. Não achei que vc levaria o trato a sério. Faz bem, Dora, alivia a alma. Tenho acompanhado seus textos e sei que vc deve relê-los e se sentir por vezes triste, por vezes aliviada. It's a process... rs...

    Saudades... (e to de olho, sempre)

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