terça-feira, 11 de maio de 2010

Amargo

É bizarro, no mínimo, voltar ao blog depois de quase cem dias. Pra ser bem sincera, reler os meus próprios textos me faz perceber até onde vai a minha instabilidade. Quando eu comecei aqui eu tava um lixo. Bebia vodka até tombar na sala. Jean Michel me povoava. Aí eu passei por aquela transformação "no fundo do poço tem uma mola" e consegui me reerguer. Contei com Mamá e com o Fred, verdadeiros heróis. Contei com minha amiga, também tão náufraga quanto eu, mas disposta a recolher meus cacos. E vivi. Pro Caíque, pro Flávio - outro herói - por Mamá. Vivi mesmo. Feito gente normal. O Caíque estudando, tocando piano, o Flávio parceirão, Dona Marilu cantarolando entre a cozinha e o quintal. Eu cheguei a curtir semanas inteiras. Dei aulas magistrais, pintei duas telas. E então na noite passada eu sonhei com uma mesa cheia de pratos. Eu comia um vepro Knedlo. Senti o sabor da carne e do molho azedo tão típico. No meu sonho alguém bebia uma lager. Acordei sem ver aquele rosto. Mas eu soube. Hoje Jean Michel ligou. O Caíque terá um irmão francês. Há um pedaço de Jean Michel se preparando pra chegar a esse mundo. E eu estou me sentindo estranha, vazia, inútil, doente. É isso. Jean Michel é minha doença. Essa doença calada e oportunista. Merde!

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